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Posted by  in Noites na Nora

16 anos de “cultura como uma festa

Noites Na Nora 2016

Escrever sobre o Festival Noites na Nora não é fácil, tal como não o são todas as coisas do coração. E o Noites na Nora é, sobretudo, do coração. Foi assim que ele começou, há 16 anos, e foi emocionalmente que ele foi crescendo, na ligação com os públicos, com os artistas, e no intimismo da relação entre os dois. Mas voltemos um pouco atrás.
A 1.ª edição do Festival Noites na Nora aconteceu em 2000, ano da formação da Baal17. Tal como tantas outras coisas boas na vida, o Noites na Nora surgiu em jeito de carolice, depois de um encontro com o espaço perfeito, o Espaço da Nora, que viria a dar nome ao Festival. Depois do uau! a cabeça começa a fervilhar: o festival perfeito, a programação ideal, os apoios, o financiamento, os públicos, tanta coisa e…nada. Sem qualquer tipo de financiamento à altura, a Baal17 dispunha tão-somente de uma mão cheia de ideias (e ideais) e outra de amigos.
E foi assim com carolice, amigos e prata da casa que a Baal17 embarcou na aventura Noites na nora. Numa época em que os festivais de verão se contavam por uma mão, em que a cultura “ainda” representava 0,6 por cento da despesa da Administração central, e em que o acesso a produtos culturais de qualidade no Alentejo era ainda muito limitado, o Noites na nora surgia como um oásis nas quentes (e pouco programadas culturalmente) noites do Alentejo.
“A cultura como uma festa” seria (e ainda é) o lema do Noites na Nora, desmistificando para um público, à altura pouco habituado, o teatro, a dança e outras manifestações culturais como coisas para um público “mais culto”.
Ano após ano, criou-se uma fidelidade com o público que se deslocava à Nora na expectativa de ser surpreendido, uma empatia pelo espaço e pela criação artística, um espírito de tertúlia que ainda hoje caracteriza o Festival.
A música acabou por ser a rampa de lançamento do Festival, apostando nos grupos e artistas de vanguarda cuja carreira se adivinhava em ascensão. Ainda antes de lançarem o seu álbum de estreia já os Deolinda tinha pisado o palco da Nora. Por outro lado, o Festival foi conseguindo criar momentos únicos em espetáculos de consagrados como Simone de Oliveira ou Paulo de Carvalho. A convite da música, o Teatro assumiu um ponto de honra, que muito nos honra. Se em 2000, assistir a um espetáculo de teatro em formato café concerto causava alguma estranheza e até algum desconforto, hoje é um momento único de simbiose entre atores e espetadores.
Na senda da formação de novos públicos e do despertar para novos projetos, para novas paixões, o acolhimento de residências artísticas foi também desde o seu início uma das apostas do Noites na Nora. Em Serpa, artistas de vários quadrantes têm vindo a dar largas à sua criatividade tendo como pano de fundo a experiência com a terra e as gentes, e envolvendo-as nos processos de criação artística.

Não somos um Festival.E agora?

Repararão (talvez) que a este ponto deixámos de chamar ao Noites na Nora – Festival. Se Festival significa “grande festa” faria todo o sentido continuar a designá-lo assim. Mas, o Nora é mais do que isso e não se coaduna a comparações com outras grandes festas de verão. Não somos um Festival de verão, nem pretendemos sê-lo. Cada macaco no seu galho. E o nosso galho é pequeno.
Pequeno no espaço (Espaço da Nora) que não permite o aumento de público. Pequeno no orçamento disponível para a sua realização. Pequeno na capacidade de angariar outros financiamentos.

Dito assim, poderíamos estar a propalar uma morte anunciada. Mas não, nada disso. O nosso galho é pequeno, mas tem raízes fortes.
Primeiro, porque o Noites na Nora criou uma necessidade de Cultura às populações da região. E esse, que é talvez o nosso maior trunfo, não se tira por dá cá aquela palha. Ou por toma lá menos financiamento. Segundo, porque continua com uma mão cheia de ideias e ideais e outra de amigos e de artistas que aqui querem vir apresentar o seu trabalho. Em condições únicas.
O país não é o mesmo, mas o Noites na Nora também não. A renovação pode fazer-se com todas as condicionantes que nos assaltam ao caminho. Crescendo na dimensão da oferta paralela, associando-nos a outros. Em 2016, e pelo terceiro ano, o Noites na Nora volta a acolher e a coproduzir o Encontro Internacional de Danza Duende, que trará a Serpa, durante uma semana, mais de 100 artistas e participantes de toda a Europa. Para esta realização, chamámos várias associações da cidade, o que permitirá viver o evento além das fronteiras do espaço e do tempo do Noites na Nora e envolver a comunidade, gente com vontade de construir em conjunto, de partilhar experiências e emoções.

Esta é a nossa marca!

Após 16 anos de Noites na Nora é ainda a insígnia – “A cultura como uma festa!” – que nos acompanha nesta viagem de desenvolvimento de um evento que se quer trampolim para a criação de uma plataforma pluridisciplinar de produção, criação e apresentação de artes performativas. Não temos marcas, mas trabalhamos ano após ano na Marca Noites na Nora: a criação de momentos únicos e especiais.
E é neste sentido que o convidamos a visitar-nos e a viver-nos. Sim, é isso. Não o convidamos a vir assistir a este ou a outro espetáculo em especial. Convidamo-lo a viver cada noite, cada espetáculo.
De 8 a 23 de julho voltamos a abrir-lhe as portas do Noites Na Nora,que são também as portas do nosso coração. Entre, e viva connosco “a cultura como uma festa”.

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