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Posted by  in Espetáculos

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Foto ensaio

Depois da estreia na Vila Mariana, em Serpa, e da digressão pelas ruínas e praças dos concelhos de Serpa, Moura e Barrancos, a “Ruína” adentra teatros e auditórios.Muda o cenário, muda o ambiente, mantém-se a atualidade, a tensão, o riso, o tipo das personagens e o atípico da situação.

30 Setembro I 21h30

Teatro Garcia de Resende I Évora 

Sobre o espetáculo:

Há talvez na presente crise económica que tudo atravessa um aviso para navegantes: a iminência de um mundo em que a mudança de modelo energético deixará de ser uma utopia das sociedades desenvolvidas, para se impor como estado de facto, se calhar catastrófico. Por todo o lado, os sinais da precariedade insinuam-se como um horizonte incontornável, embora as elites planetárias ainda especulem com depósitos de energias fósseis quase inesgotáveis. Esta tensão entre o utópico e o precário, no contexto da crise, é a ideia da qual nasce o processo criativo de “Ruína”.

Partindo da mistura de géneros como a ficção científica e o teatro de costumes, o espectáculo concebe-se como o sonho de uma jovem expulsa da cidade que procura nos campos do sul o caminho para algum paraíso perdido. O sul é aqui símbolo de um mundo em muitos sentidos ainda alheio ao voraz processo de industrialização, e, portanto, ligado ao sagrado, ao misterioso e ao irracional.

Só que esta jovem traz consigo, na sua viagem da cidade para o campo, uma visão deformada da realidade. Os fantasmas que habitam o seu sonho não são mais do que arquétipos dos seus próprios conflitos. Trata-se assim de construir uma alegoria de marcado carácter onírico a respeito da procura de energias renovadas num mundo virado contra toda a hipótese de mudança, e no qual só parece caber a aceitação da realidade tal e como nos é imposta. Há nisso uma visão tão irónica quanto poética sobre o nosso posicionamento frente à crise e ao drama que nos é dado viver na atualidade, nos quais se conjugam um sentimento quase apocalíptico e desesperado e a dúvida de se nós, como indivíduos e como sociedade, seremos ainda capazes de encontrar novas energias para continuar em frente.

Carlos Santiago

Encenador e dramaturgo

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