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Posted by  in Espetáculos

“RUÍNA”, de Carlos Santiago
cientistaCriadaexecutivo
marquesa prostituta Viajante
Estreia 22 Maio I 21h30
Vila Mariana I Horta do Chó I Serpa
Espetáculos a 23 e 24 I 2130

Sobre o espetáculo:

Há talvez na presente crise económica que tudo atravessa um aviso para navegantes: a iminência de um mundo em que a mudança de modelo energético deixará de ser uma utopia das sociedades desenvolvidas, para se impor como estado de facto, se calhar catastrófico. Por todo o lado, os sinais da precariedade insinuam-se como um horizonte incontornável, embora as elites planetárias ainda especulem com depósitos de energias fósseis quase inesgotáveis. Esta tensão entre o utópico e o precário, no contexto da crise, é a ideia da qual nasce o processo criativo de “Ruína”.

Partindo da mistura de géneros como a ficção científica e o teatro de costumes, o espectáculo concebe-se como o sonho de uma jovem expulsa da cidade que procura nos campos do sul o caminho para algum paraíso perdido. O sul é aqui símbolo de um mundo em muitos sentidos ainda alheio ao voraz processo de industrialização, e, portanto, ligado ao sagrado, ao misterioso e ao irracional.

Só que esta jovem traz consigo, na sua viagem da cidade para o campo, uma visão deformada da realidade. Os fantasmas que habitam o seu sonho não são mais do que arquétipos dos seus próprios conflitos. O seu desejo de ser mãe confronta-se com o desejo de se libertar de todas as amarras. Acredita na revolução, mas sente-se presa no ciclo vicioso do sistema. A necessidade de trabalhar choca com a sua própria preguiça. Tem grandes ideais, mas facilmente se deixa levar pelo hedonismo. E existe mesmo dentro de si o puro impulso egoísta de transgredir qualquer limite moral em nome da própria sobrevivência.

Trata-se assim de construir uma alegoria de marcado carácter onírico a respeito da procura de energias renovadas num mundo virado contra toda a hipótese de mudança, e no qual só parece caber a aceitação da realidade tal e como nos é imposta. Há nisso uma visão tão irónica quanto poética sobre o nosso posicionamento frente à crise e ao drama que nos é dado viver na atualidade, nos quais se conjugam um sentimento quase apocalíptico e desesperado e a dúvida de se nós, como indivíduos e como sociedade, seremos ainda capazes de encontrar novas energias para continuar em frente.

Neste sentido, “Ruína” é um espectáculo pensado para se desenvolver em espaços abandonados e com o mínimo custo energético, de maneira a evidenciar e tirar partido da precariedade em que somos forçados a viver e a realizar os nossos sonhos.

 Carlos Santiago

 

Sobre o encenador:

Carlos Santiago. Santiago de Compostela (Galiza). 1966

Escritor, dramaturgo, músico e artista galego. Fez parte de projetos artísticos como A Psicofónica de Conxo, a Compañía de Teatro Chévere e a Nave de Servizos Artísticos -NASA- sediados em Santiago de Compostela. Monologuista, guionista de cinema e ativista cultural, o seu principal interesse centra-se nas artes cénicas, sendo autor e encenador de mais de vinte peças em variados géneros, entre as quais “Ascensão e Queda de Zé Grotewski” (2001), “Nós temos os pés grandes porque somos muito altas” (2001), “Abraço de Ferro” (2002), “Sidecar” (2003), “O Vegetal” (2011) ou “Finlândia” (2008). Destaca-se por um estilo satírico que desafia os limites entre a realidade e a ficção. Trabalha habitualmente com grupos e artistas tanto da Galiza como de Portugal e é autor de vários livros como “Metalurxia” (1996), “Acantinado” (2008) ou “Abraço de Ferro” (2011).

“Ruína”, 36.ª produção Baal17

Texto, encenação e música: Carlos Santiago

Interpretação: Catarina Inácio, Filipe Seixas, Helena Ávila, Sandra Serra, Susana Nunes e Rui Ramos I Cenografia e figurinos: Bruno Guerra I Desenho de luz: João Sofio I Operação técnica: Paulo Troncão I Construção cenário: José Galamba I Costura I Rosário Trincalhetas e Ana Marta Piroleira I Fotomontagem: Carlos Santiago I Design gráfico: Verónica Guerreiro/BlocoD – Comunicação e Imagem I Direção produção: Sandra Serra I Gestão: Rui Ramos

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